sexta-feira, 6 de julho de 2012
Partes separadas, madeira farpada, sentaste-te nas escadas que o Fevereiro deixou para ti, esqueceste as flores do jardim que não foram regadas, mas sorriam para ti, esqueciam os raios de sol que teimavam em ausentar-se, abraçavam a sombra e a conveniência que lhes era dada, mas pobres, privadas do teu afeto que as grades do teu sentimento reprimido transparentou, dessas mãos que poemas guardava entre as unhas mas o faz-de-conta dessa água velha que das pálpebras borradas a negro corria insultou, nuvens de fumo, tua alma ingrata com o coração que te dei, tantas jangadas atadas a compaixão linhas eucalipto, tinta corroída, branco ou pintada a fluorescente, deitaste-o ao rio. A saudade que cravaste na seiva das plantas que já morrem, persistem tão frágeis apenas da pouca água que me deixaste nas folhas, a hemorragia que me não saraste e agora escrevo, sofre o papel da folha com cada interrogação que faço, mas enfim, às margens do Tejo o vento ainda consegue chegar, embora já exausto, já gasto também, já povoado pelo sargaço que foi com as minhas cartas rasgadas.
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