sexta-feira, 29 de março de 2013

Desabrochei em argila no pulmão. O pó, o sexo e as paredes conjugadas no mesmo chão: só exaustava para adormecer, para largar as mãos queimadas e calar-me, tremeluzir para outra parte. E ainda restava vida. Repousar dos pruridos e dos tapetes, da exatidão dos saltos e deste sangue velho, deste sangue que já não é sangue, é nuvem, são desamores.

domingo, 24 de março de 2013

Fez-se e nunca repeli da solidão, deste cheiro inquebrável de um estorvo no espírito, desta lâmpada que recai incessante com feixes deploráveis e ósseos sobre o amor, e a inconstância das minhas pálpebras arenosas.
Não arranjei apologistas para que não deprimisse na chuva nem na chuva, na falta de resgate à minha unidade ou nos lixos, ou no soalho, ou na levedura... tento reavivar aos espaços detríticos do que ainda lembro e da minha noite, e eu acho que nunca pedi por tantos remendos na pele, ou tanto lodo na garganta, ou uma alma feita do fedor das algas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Para lá da distância
que a distância não coube,
rebento de ouro, colheita maestrina
choveu para roubar dos olhos cegos
do mar
cresceu impune no braço do céu;
e a resposta tardou na velocidade do tempo
do beijo, da malícia do ofício castiçal
brilhantina, infernal
da terra e do sal
deparo nas algemas de ti branca
de ti nitidamente aflorada:
foi do vento.
por onde queres que te surja
por quando esqueces e lembras
penumbra, asilo

perpetuei e jamais o quiseste
propugnadora do teu gesto
por onde desatas
por quando escassas
vaso de carvalho semeado
ele,
caveira,
é inflexível:
se o vaso parte, ele morre
é, e deixa de o ser em parte alguma
Ponto. Final.
o teu amor era biforme
no entanto, elegante,
cometeste o erro crasso do suicídio
de alma, de água, de areia.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013